25 de mai de 2015

Os amestrados da Faculdade Control


É o fim da picada. Não sem razão há advogados que não conseguem escrever o “o” nem sentando nu na areia. Não houvessem coisas como CDs que trazem petições prontas, é só adequá-las aos respectivos casos, e neguinho aí morreria de fome. Os que litigam contra mim, então, nem se fala. Advogados formados na Faculdade Control . 

Uma dessas empresas que vivem à custa de advogados incompetentes acaba de colocar outro  produto no mercado. Anuncia 15 mil novas petições. Eu disse 15 MIL. A novidade é o pacote das que já chegam prontas de acordo com o novo Código de Processo Civil. 

O interessante é que muitos desses rábulas estão em sala de aula, daí que apiedo-me dos alunos, que acabarão, engrossando a a demanda por tais CDs.  

Tive a pachorra de pegar as ações contra mim e pesquisar a origem dos seus textos. Todas são de lavra alienígena. Mas isso não é restrito a Goiás. Vi, em São Paulo, algumas peças de advogados paulistas. São da mesma faculdade. Não fosse o Dr. Google e muita gente já teria virado flanelinha.

Falando em advogados, quando é que a diretoria da OAB vai dar satisfação aos filiados sobre as graves denuncias de irregularidades detectadas na instituição e que teriam lesado seriamente a CASAG? Aquelas coisas colocadas no site, simplesmente, não respondem a nada. Tudo está com cara se sujeira varrida para debaixo do tapete. Está ficando feio para a imagem dos seus dirigentes.

A impressão que se tem é a de que o caso vai ser levado de barriga para ir dormitar ad aeternum na impunidade, o que é lamentável. A velha Ordem não pode se permitir a tal conduta. Não pode ser Ordem dos Amigos do Bataclã. A quase totalidade dos seus filiados é de profissionais sérios, honrados, éticos e merecem respeito, principalmente por parte dos senhores. Eles são a entidade. 

24 de mai de 2015

Desejo assassino

 “Hoje eu queria dar um tiro de 12 semiauto na cabeça do promotor Krebs só pra ver se ela está funcionando beleza”.

Palavras de Cássio Carvalho, um ex-militar contratado, temporariamente, para ser policial. Era um “policial” na ativa. Ele se disse, hoje, em “dia de fúria”. Acho que todos os seus dias foram de fúria. As ideias de hoje não eram de hoje e nem decorrem da raiva. Elas eram ideias velhas, estavam apenas adormecidas.

SIMVE. Era de lá, dessa “instituição” inventada ao arrepio da lei, sob o signo do custo/benefício. O fato de ter passado pelas Forças Armadas não lhe dá – e nem aos seus companheiros de naufrágio – o know-how necessário para a ação repressiva. Militar é militar, polícia é polícia.

Com certeza, a maioria dos temporários é de gente de boa índole, sem nada a ver com o que pensa e defende tal Cássio e aqueles com os quais compartilha ideias e vontades pelas redes sociais.

O seu desejo é triplo: matar o promotor Krebs, o ministro Lewandowski, do STF, e o deputado Major Araújo. Mas ele deseja mais, além dessas mortes. “Acho que o SIMVE, agora, pode montar uma milícia armada e tomar conta desse Goiás, já que isso é igual terra de ninguém”- disse ele no WhatsApp.

As suas palavras revelam existir, dentro da própria polícia,  a mesma certeza que nós da população temos aqui fora: Goiás é terra de ninguém. Aqui, bandido manda e desmanda.

Pra começar, inexiste nestas plagas política de segurança pública. Cássio sabe disso. A ideia de milícia decorre daí.  Aqui transborda impunidade. Cássio sabe disso, daí que fala em matar um, dois, três.  Aqui se descobre os crimes que o sistema quer. Cássio sabe disso.

Exemplo? Quem matou o bicheiro Boadyr Veloso, assassinado com dois tiros, em 2008? Ao sistema não é bom que se descubra. A  polícia levantou algumas suspeitas sobre bicheiros famosos, mas o caso está esquecido num canto qualquer.

Todo mundo sabe que o bicho (jogo) manda em Goiás. Funciona on-line em cada esquina, em cada banca e ninguém faz nada.  A impressão que se tem é a de que todo mundo está na “gaveta”.

Nem todo mundo, para sorte nossa e para azar do Cássio, que muito vai ter que explicar sobre o seu desejo assassino contra Krebs et alii. Coisas que acontecem num dos Estados mais violentos do País. Coisas que acontecem numa terra em que o próprio governante é alvo de investigação, pelo STJ, por suspeitas de corrupção e assassinato.


P. S. – A minha solidariedade ao promotor Fernando Krebs.

23 de mai de 2015

Pelos bailes da vida

Saudade dos bailes de outrora. Hoje, ninguém quase usa lenços. Sempre os usei. Nos bailes, os perfumava. Os oferecíamos a quem conosco havia dançado, para secar as mãos. 

São José do Rio Preto, Votuporanga, Catanduva… Fui a grandes bailes, vi grandes orquestras (Tabajara, Sylvio Mazzucca, Élcio Álvarez, Enrico Simonetti, Nelson de Tupã, Pedrinho de Guararapes, Laércio de Franca, Continental de Jaú…) e grandes conjuntos (3 do Rio, Orfeu Negro, Renato Perez, Os Modernistas, Tesourinha & Conjunto (que depois virou Banda Capri, de Votuporanga…). 

Simonnetti: big band com mais de 25 músicos. 

Os Modernistas, de Rio Preto
Tempos de Cosmorama, Grêmio Literário e Recreativo. Fim dos anos 50, início de 60. Aos domingos, havia brincadeira dançante ao som de discos. Uma vitrola enorme, possante, Hi Fi - Hight Fidelity, tocava os discos selecionados. Estes ainda eram monaurais, depois é que vieram os estéreos. Ray Conniff, Henry Jerome, Billy Vaughn, Frank Pourcel, Henry Mancini, Bert Kaempfert, Lawrence Walk etc.. 

Tempo bom. Que felicidade quando se colava o rosto. O par se fazia permanente. Depois do baile é que as coisas aconteciam. Mas havia regras duras nos bailes de outrora. Machistas. Pobre da menina quer se recusasse a dançar com alguém (dizíamos “dar tábua”). Simplesmente não poderia mais dançar naquele baile. O recusado a impediria. Nos bailes na roça, então, era convidada s deixar o recinto. Ainda bem que evoluímos. 

Sempre fui bom pé-de-valsa. Estava em todos os bailes na região. Eu e amigos alugávamos uma Kombi que nos levava e trazia. Em Rio Preto, eu e Miguel Carlos Adas, ambos na Rádio Independência, saíamos de vitrolinha em punho e os nossos discos debaixo do braço. A cada semana havia um bailinho na casa de alguma menina, que convidava outras e outras. Momentos felizes que a Deus agradeço. 


Como diria Casimiro, saudades que tenho da aurora da minha vida…

Frente Progressista do Senado declara guerra à pauta conservadora da Câmara

Trinta, dos 81 senadores, começam a oposição à chamada “pauta conservadora” aprovada pela Câmara. Tanto que formaram a Frente Progressista, uma “brigada” que começa a trabalhar, já na terça-feira, para tentar derrubar coisas que os deputados aprovaram.

São muitos os alvos a serem “detonados”. Um deles, por exemplo, é o projeto de lei da terceirização. Para este, será apresentado um substitutivo mantendo a  terceirização, mas preservando o direito dos trabalhadores e suas reivindicações. 

Também na mira está o projeto de redução da maioridade penal, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em 31 de março.

O que promete boa briga diz respeito ao estatuto da Família. Os senadores querem barrá-lo por ter ele sido pautado pela bancada evangélica, que não considera casais homoafetivos como família. Eles lembram de que o Brasil é um país laico e as suas leis devem ser pautadas pelo interesse geral e não apenas de uma parcela que quer impor os seus credos e convicções. 

Os senadores da “brigada” também querem barrar a mudança que os deputados fizeram no Estatuto do Desarmamento, que liberara o uso do porte de armas, e derrubar o já aprovado projeto que acaba com a obrigação de identificar, no rótulo, produtos de origem transgênica.

De acordo com a agenda, na reunião de terça-feira estarão presentes também movimentos sociais e sindicais. A ideia é consolidar a Frente e aprofundar sua relação com a sociedade civil, buscando o apoio da população às suas ações.

A Frente é formada pelos senadores, Lindbergh Farias (PT-RJ), Telmário Mota (PDT-RR), Paulo Paim (PT-RS), Roberto Requião (PMDB-PR), Donizeti Nogueira (PT-TO), Regina Sousa (PT-PI), Lídice da Mata (PSB-BA), Jorge Viana (PT-AC), Roberto Rocha (PSB-MA), Randolfe Rodrigues (PSol-AP) e Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), entre outros.

Governador usa arma biológica contra índios

Este é o Lago Frei Leandro que, em 1575, fazia parte do reduto
dos tamoios. A foto é de Marc Ferrez (1890)

Um pouquinho de coisas da História. Voltemos ao passado, a 1575, ano em que Antônio Salema assumiu o governo da Capitania do Rio de Janeiro e parte sul do Brasil. Português natural de Alcácer do Sal, tal Salema era um jurista formado em Coimbra e se destacava pela arrogância, prepotência e pelo ódio mortal que nutria pelos nossos indígenas.  

Tão logo assumiu, tomando ciência das leis então vigentes, eis que descobre uma editada pela Metrópole e que lhe deu meios para consolidar as suas ambições. A referida lei isentava de impostos, por dez anos, quem erguesse engenhos de cana de açúcar no Brasil. 

Ali no Rio só havia um, construído em 1573, de propriedade do  governador antecessor, Cristóvão de Barros, o dono de Magé e, à época, Provedor da Fazenda Real. Um só engenho fazia do dono o poderoso maior, o que aumentou ainda mais as suas ambições. 

Só que havia um porém: as terras boas, com água em abundância (Lagoa, Leblon, Jardim Botânico) estavam ocupadas pelos tamoios, já incomodados pela agitação e desejosos de atacar as cariocas (em tupi, carioca = casa do homem branco). Pensavam em “jantar”os brancos, mas, na verdade, acabaram sendo “almoçados”por eles. 

Salema simplesmente decidiu extingui-los do mapa para erguer, no lugar de suas aldeias, o seu engenho (cuja história posterior é uma novela). Como o governo não dispunha de numeroso exército, os coronéis fizeram anunciar a Salema as suas deficiências em armas e gente. O governador os dispensou. Disse não precisar de seus jagunços para desocupar a área.  
Astuta re criminosamente, o astuto senhor mandou que se recolhesse as roupas das pessoas doentes de varíola e que fossem jogadas nas matas adjacentes. Os índios as pegaram, as vestiram, contraíram a doença e morreram.  

Era o Brasil, nos idos de 1575, já vivendo experiências com armas bacteriológicas. Obra de um português, Antônio Salema, que de burro não tinha nada. Apenas o seu (mau) caráter era moldado por uma das “regras de ouro” da maioria dos maus políticos: o fim justifica os meios. 

22 de mai de 2015

A revolta da vacina


Deixa eu voltar ao papo sobre o Oswaldo Cruz. A última batalha dele foi contra a varíola. Ela assolava a velha cidade do Rio. Doença muito contagiosa, matava ou deixava cicatrizes. Por conta disso, o nosso médico sanitarista decidiu que a vacina teria que ser obrigatória. Questão de vida ou morte. 

Assim, candidatos a cargos ou funções públicas, pessoas que pretendiam se casar, viajar e até se matricular em escolas, só o conseguiriam com o atestado de vacina. Os militares também forçam obrigados. Idem todas as crianças com menos de seis meses. 

Aí entra em cena aquele povinho que gosta de agitar e tumultuar as coisas. Logo estava de boca em boca que a tal vacina ou matava ou aleijava. Ou seja, os males causados pele varíola eram atribuídos ao remédio. O mínimo de mal que a vacina causaria era deixar a pessoa com “cara de bezerro”. 

Congressistas usavam a tribuna para atacar o médico, para inventar coisas. Chegou-se ao absurdo de dizer que a vacina era feita com o sangue dos ratos comprados. 

Fizeram um inferno e o pau quebrou. A maioria da população não aceitava a exigência e se rebelou. Foi a chamada Revolta da Vacina. Oswaldo Cruz não cedeu. Aguentou firme. Enfrentou e endureceu o jogo. Como os que eram vacinados não apresentaram as reações alardeadas, aos poucos os revoltosos foram cedendo, até que se entregaram de vez.

Hoje, a preocupação é a de que ela, a exemplo do dengue e da febre amarela, volte a nos atormentar.  O culpado do que aí está todo mundo sabe: o safado do Collor, que acabou com a SUCAM.   


P. S. - Na época, a febre amarela matou um goiano ilustre. Trata-se de Antônio Amaro da Silva Canedo, o Senador Canedo, que representou o Estado de Goiás na Primeira República, a chamada República Velha. 

O nosso povinho adora ratos

Os feitos de Oswaldo Cruz servem para exemplificar a veracidade daquela história de que Deus não nos deu terremotos, furacões, vulcões etc., preferindo que ficássemos com um “povinho muito safado e filho da puta”. Como prova, vejam esse lance da guerra do nosso herói sanitarista contra as peste bubônica. 

Para quem não sabe, tal doença é causadas por uma bactéria transmitida por pulgas que infestam ratos. O nome vem de bubões, que são gânglios linfáticos, órgãos de defesa do organismos. Quando temos certas infecções, os bubões incham (já ouviram falar das ínguas?).

Bem, se a doença vem da pulga do rato, o lance é acabar com o tal. Para fazê-lo, Oswaldo Cruz adotou um modelo interessante, mas polêmico: oferecia 300 réis por cada roedor morto. 

Foi uma gozação só por parte dos jornais, que desceram a lenha no médico, com notícias e charges. O que ele não esperava era que a tal venda de ratos se transformasse em rentável negócio. É aí que entra o povinho safado e filho da puta. 

Pasmem. Cariocas passaram a criar ratos em casa, a trazê-los de outros Estados e até a comprar ratos estrangeiros, costumeiros “habitantes” dos navios de fora que atracavam no porto do Rio. Um absurdo. 

Apesar de toda a malandragem, os casos da danada da peste diminuíram e, em 1909, um caso sequer era registrado. 

Inacreditável. Criar ratos para ganhar dinheiro.É, o nosso povinho  gosta mesmo de tratos. Até os elege, aos montes.

Prendam Collor, o "pai" da nova febre amarela



Ano de 1903, Rio de Janeiro, a Capital da República. De maravilhosa, ainda, a cidade não tinha nada. Era fedida, pestilenta. Chamavam-na, isto sim, de túmulo de estrangeiros, tantas eram as doenças contagiosas que ali proliferavam, castigando os seus habitantes e quem a visitava.   

Tal imagem não era nada boa para a nossa cidade sede do Governo, centro de negócios e alvo das atenções dos investidores estrangeiros. Era preciso dar um jeito urgente naquela tétrica situação. Foi quando o presidente Rodrigues Alves convidou o sanitarista Oswaldo Cruz para comandar o que seria hoje o nosso Ministério de Saúde. 

Formado aqui, mas graduado no Exterior, o nosso doutor arregaçou as mangas e, em menos de uma semana, já tinha um plano de combate ao inimigo imediato: a febre amarela. Esta é uma doença causada por um vírus que ataca o fígado e é transmitida ao homem por mosquitos, como o Aedes aegypti. Amarela porque deixa as pessoas amareladas.

O nosso herói começou por identificar os doentes e acabar com os focos da doença. Para isso, estruturou a campanha em moldes militares, dividindo a cidade em 10 distritos sanitários, cada qual chefiado por um delegado de saúde. Além da polícia sanitária, formou brigadas de mata-mosquitos que, uniformizadas, tinham o poder de entrar nas casas. Foi uma verdadeira operação de guerra.

Em tal época não tínhamos, ainda, emissoras de rádio e TV. Os jornais, ao invés de auxiliá-lo, pelo contrário, preferiram atacar a sua reputação com duras críticas e maliciosas gozações. Pasmem, amigos. Na própria faculdade de medicina os nossos “sábios doutores” achavam uma maluquice de Osvaldo Cruz atribuir a um mosquito a transmissão da febre amarela. Acreditava-se que a maioria das doenças era provocada pelo contato com roupas, suor, sangue e outras secreções dos doentes. 

Todo mundo quebrou a cara. A campanha surtiu efeito e os casos foram diminuindo, até desaparecerem. Cruz pediu ao presidente que mantivesse nos quadros da saúde todo o pessoal dos distritos e das brigadas sanitárias, com a missão de inspecionar a existência de fontes causadoras de focos. 

Dessas brigadas resultou a nossa SUCAM, recentemente extinta pelo irresponsável presidente Fernando Collor, que transferiu a responsabilidade para os municípios, mas não os recursos e nem os funcionários já qualificados para a tarefa..

É preciso descobrir uma saída jurídica de molde a processar tal canalha e botá-lo na cadeia. A febre amarela, a exemplo da dengue, está de volta e matando. Prendam este safado. A culpa é dele. 

21 de mai de 2015

Embarque & Embates

Mais um texto brilhante da poetisa, contista e psicóloga Marisa (A)Penas, exclusivamente para você. 


1º dia do ano de 2015. Aboletada, não tão confortável como gostaria, pois o espaço é pequeno no nível que viajo, decolo contente nas asas da TAM, rumo à minha GYN. O possessivo fica por conta da particularidade sempre à frente. Degusto Goiânia ao meu modo, no prazer de fazer parte dela.
Experiências no saguão.

A figura estranha de um jovem. Observo calada, e discreta, claro!... Todavia, os pensamentos se agitam. Uma questão me chega: O quê levaria alguém a transformar os cabelos em grosseiros cipós? Isso mesmo!... Cipós ásperos para a visão, com aparência de sujeira. Cordas grotescas onde a água não penetra. Um dia foram fios de cabelos.

Tento arquitetar razões. Acha bonito?... É gosto. Quer chamar atenção? Conseguiu. Detesta pente e xampu? Parece que sim. Concluindo meu arquivo: onde água não atua, falta higiene.

Agora me atrai a agitação duma criança insistindo em virar mala, pois se joga no espaço destinado ao despacho de bagagens.

A mãe, sem nenhum pulso educacional – sou perita nesta observação –, expele palavras num som de gata no cio: “Fulaninho, não pode...”. Óbvio que o pirralho continua o movimento, até que um funcionário intervenha interrompendo a cena ridícula, retirando o “mala” pelo braço. E a mãe, miando: “Tá vendo, Fulaninho?”... 

Nestas ocasiões, me pergunto por onde andam os bons costumes, as orientações de respeito à convivência. Algumas gerações, das quais faço parte, se primaram na distribuição de moedas valiosas para o uso comportamental de não perturbar aos outros com atitudes desagradáveis.

Arrematando a “Babel Aeroportuária” no saguão de embarque, um representante do sexo masculino fala ao celular à moda de locutor esportivo narrando jogo, ou seja, gritando. O mais bizarro é o assunto numa linguagem tosca. Poluição sonora sufocante!... Será que ele imagina o incômodo provocado? Todos têm o direito de se comunicar, da forma que bem desejarem,  desde que não atropelem aos que estejam por perto.

Questão de ordem. Aliás, o lema de nosso “lábaro cívico” é bem desconsiderado. Verdade entristecedora. Vivemos num país sem ordem, a partir da cúpula onde inexistem leis para seus crimes. Sem a devida ordem, o progresso passa longe. A farra é antiga e já se fez tradicional, para meu desgosto. 

Voltando ao meu quadrado, voei pelos registros mnemônicos ouvindo minha mãe que foi amorosa mas severa deixando legados nos exemplos e nos ensinamentos verbalizados.

Gostava de nos advertir: “Tenham cuidado com o que fazem, onde vão. Prestem atenção nos seus passos, para não servirem às críticas”. Acolhi como sabedoria no uso da discrição, no respeito aos limites, na consideração da presença do outro.

Aprecio o progresso, louvo a tecnologia, respeito os direitos, aprendo com a diversidade humana, considero justo o usufruto da liberdade. Muitos aspectos destes tempos modernos me encantam.

Todavia, me vejo agredida pelo comportamento generalizado, incentivado pela mídia, onde cada um elimina a presença das outras pessoas, como se o Universo estivesse a serviço da centralização do umbigo de cada sujeito, desconsiderando tudo mais.

Muito já se disse  acerca deste aspecto. Um imediatismo sustentado pelo hedonismo granítico que beira o instintual, um materialismo bárbaro onde tudo é venalmente avaliado para dar a proporção indiscutível do “mais eu” e, um dos piores efeitos, na minha percepção, é o atropelamento inconsequente da educação básica de ocupar apenas o próprio lugar, não invadindo a seara alheia.

Uma transgressão da lei física que enuncia “dois corpos não ocupam o mesmo espaço, ao mesmo tempo”. A lógica seria: se o outro está lá, não posso estar,  simultaneamente. É preciso aguardar a vez. 

Nada disso!... Sai da frente, porque cheguei com minha grosseria, meu celular barulhento, furando fila, impondo hábitos, etc...
Um horror!
Despachei minha bagagem como se faz dentro das normas. Segui calmamente para a sala de embarque. Por lá as confusões seriam outras.
Tenho a consciência tranquila de não azucrinar quem está por perto. Vou executando a minha parte e me divertindo com tamanhas alterações. É o meu país...

Marisa (a)Penas

Terça, o Dia D. Oposição pedirá afastamento de Dilma

Brasília, apesar do tempo frio, teve o final da manhã aquecido pelo incêndio provocado pelos partidos de oposição. PSDB, PSC, Solidariedade, PPS e DEM decidiram afastar a presidente Dilma através de ação penal (AP) por prática de crime comum. De acordo com o jurista Miguel Reale Junior, contratado pelo PSDB para forjar o parecer do impeachment, Dilma pode ser punida por conta das “pedaladas fiscais” - atraso nos pagamentos feitos a bancos públicos como forma de melhorar o caixa do governo. 

A ação será apresentada até a próxima terça-feira (26) à Procuradoria Geral da República, capitaneada por Rodrigo Janot. Detalhe: Com a AP, os opositores não precisarão da boa vontade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para viabilizar um pedido de impeachment e afastar Dilma durante a investigação.

Os partidos esperam que Janot instaure um inquérito contra Dilma e que a presidente seja afastada pelo prazo em que o Supremo Tribunal Federal estiver conduzindo a investigação (até 180 dias, diz a Constituição). 

Outro detalhe importante: caso o STF decida pelo afastamento, a sua decisão carecerá de referendo de dois terços da Câmara dos Deputados. 

A coisa começa a pegar fogo. 

Leitura + ditado = aluno alfabetizado


Na minha infância, no curso primário (fundamental), a partir do segundo ano nós tínhamos aula de leitura e o ditado. Tempos atrás, entrevistando uma pedagoga de famoso colégio, no programa Paulo Beringhs, quando indaguei sobre se tais aulas eram ministradas, ela achou graça, disse que essa de ditado não existe, pois há palavras homófonas (sons iguais) que não são homógrafas (grafias diferentes e isso confundiria o aluno. 

Aí fui eu quem riu. Primeiro, no primário você usa expressões do cotidiano da criança. A regra, cara pedagoga, começa pela leitura. Quem não lê, não escreve e não fala. O ditado é sempre feito com palavras do texto exercitado na leitura. Leitura que  exige a pronúncia correta das palavras. 

Ouvisse a criança a Zizi Possi cantando “Pirigo é ter você perto dos olhos…”, ela escreveria “pirigo”. A combinação leitura/ditado é indispensável, mas as “antas’ que cuidam do conteúdo a suprimiu. Estivesse eu lecionando e, por conta própria, retomaria o método. 

Com a leitura e o ditado, você prepara o aluno também na questão gramatical. Verbo concordando com o sujeito, o substantivo, o uso dos adjetivos. Ao chegar ao terceiro ano, a criança já disporá de recursos para duas outras etapas importantes: a descrição e a dissertação. 

Com base nos textos lidos e nos ditados feitos, programamos a descrição. Coloca-se uma gravura cujos elementos já são conhecidos  e pede-se aos alunos que descrevam com as próprias palavras o que nela veem. 

Da descrição, passamos para as dissertação. Pedimos, por exemplo, que escrevam sobre a família, ou a escola, ou sobre o Dia das Mães, etc.. Ela estará aprendendo o que muitos hoje não dão conta: redigir. 

Tenho “n” ações na Justiça contra mim. Entristece-me ver que os advogados de quem me processa são incapazes de elaborar próprio texto. Conferi todas elas. Usam Control C, Control V, descaradamente. Só adaptam os argumentos ao contexto.

No caso das ações do governador, então, nem se fala. Os seus procuradores,m inclusive, o qualificam como natural de Palmeiras de Goiás, quando é da sabença geral ter ele nascido em Goiânia. 

Voltemos à leitura e ao ditado, acrescentando a caligrafia. Em caderno específico, como dever de casa, peça que escrevam várias vezes regrinhas básicas, tipo: Usa-se M, antes das consoantes P e B.   Ou: Quando o sujeito está no plural, o verbo acompanha o sujeito. Mais: Entre duas vogais, o S tem som de Z. A criança jamais esquecerá. Adulto esquece, a criança guarda tudo.


Falei em caligrafia com tal pedagoga e ela quis “curtir”comigo: “Usa-se, hoje, computador, Bordoni”. Eis aí o princípio das imbecilizarão do homem. Vejo, hoje,  manuscritos com letras maiúsculas. Ou garranchos indecifráveis. A mão foi o primeiro instrumento do homem. Aliás, recomendo a crianças e adultos que leiam “A História das Invenções”, de Monteiro Lobato. Há pedagogas (os) que precisam reaprender o sentido da vida. Também assistam ao filme “Tempos Modernos”, onde Chaplin leciona: “Não sois máquina, homem é o que sois”.  Não substituam o cérebro pelo iCloud. 

P. S. - No Brasil, ao invés de reforma, houve as demolição do ensino e a pauperização do professor, em todos os sentidos. 

Assembleia: novatos adoram restaurantes

Cada deputado estadual tem o “direito” (por nossa conta) de gastar, a cada mês, R$ 23.671,00. Gastar com ele, não com os outros e nem com a família. São despesas da atividade parlamentar (telefone, correios, informática, alimentação, aluguel de imóvel (absurdo) e carro, combustível, consultorias etc.). O total de R$ 23 mil 671ou do que dele for usado, o deputado é ressarcido. Fui conferir os novatos, ver quais as suas despesas em fevereiro e março deste ano. Abril ainda não está com os dados disponíveis.

Francisco Oliveira
De cara, eis um inusitado 
pagamento feito em fevereiro de 
uma despesa datada 
de 13 de março. 
Obra do deputado 
Francisco de Oliveira
que pagou R$ 8.500,00 
ao Fortiori Pesquisa, 
Diagnóstico e Marketing,
 conforme nota fiscal nº 286, 
emitida naquela 
data.


Sérgio Bravo




O deputado Sérgio Bravo, em fevereiro, 
gastou R$ 7.337,00 em gasolina 
(paga R$ 8 mil de aluguel de carro). 
Em março, a gasosa ficou 
em R$ 6 mil e 900. 
No dia 04, deve ter sido bom 
o jantar na Lancaster. 
Custou “só” 
R$ 533,50.



Diego Sorgatto

Diego Sorgatto 
chegou gastando R$ 12 mil em serviços gráficos. 
No item “Alimentação”, na Distribuidora (do quê) São Judas Tadeu, gastou, no dia 27 de fevereiro, apenas R$ 1.500. Não alugou carro. Gastou R$ 3.913 em combustível (Posto Serra do Lago).

Em compensação, em março a coisa disparou. 
Só de serviços gráficos foram R$ 14.160. 
Na alimentação, Diego andou pelo Coco Bambu (R$ 170 + R$ 158 + R$ 100,00), Tribo (R$ 267), Saccaria (R$ 131) e esbanjou no Buritis, 
com a bagatela de R$ 1.035. 




Adriana Accorsi


Já a deputada 
Adriana Accorsi gastou, 
em fevereiro, R$ 10.035 em 
serviços gráficos. 
Paga R$ 2 mil e 500 do 
aluguel do carro e gastou
 R$ 4.809 para abastecê-lo. 
Estranha e curiosamente, 
o nome dela não 
aparece nas contas 
de março. 


Eliane Pinheiro
Da deputada Eliane Pinheiro, em fevereiro, encontramos quase R$ 5mil reais gastos em restaurantes.  No Kabutiá, deve ter almoçado sozinha. Gastou R$ 30,30. É, mas nas 3 vezes que foi ao Panela Mágica (222 + 213 + 307), pagou R$ 742 e, nas duas vezes que foi à Churrascaria Gramado (540 + 271), mais R$ 811. Falta saber o que aconteceu no Thiosti Restaurante e Choperia. A conta somou, num só dia (02/02/2015), a bagatela de R$ 2.960. 

Pelo jeito, a deputada gosta de uma carne no espeto. Em março, dia 15, gastou R$ 490 no Olivas Gril e mais R$ 427, dia 23, na Churrascaria Gramado. Ela aluga dois carros por R$ 6 mil e gastou, em fevereiro, R$ 1.434 em combustível. 


Deputado Jean
O deputado Jean usa Vivo. 
Em fevereiro, pagou 
(nós pagamos pra ele) 
R$1.126 de telefone.
 Gastou R$ 3.256 em alimentação, 
dos quais R$ 2.063 foram pagos 
à Sintes Comércio de Alimentos. 
Não aluga nenhum carro, 
mas, em fevereiro, gastou R$ 8.300. 
Em março, consumiu R$ 8.306. 
No dia 10, a sua ida ao Los Pampas 
custou R$ 400. 




Lissauer Vieira
Lissauer Vieira começou 
bem o fevereiro. No dia 2, 
foi ao Thiosti e gastou R$ 2.960.
No final do mês (26), outros 
R$ 492 foram gastos na 
Companhia do Petisco. 
Não alugou carro, mas gastou 
R$ 2.581 em combustível. 
Em março, alugou veículo por 
R$ 2.300 e aí o gasto com gasolina dobrou: R$ 4.432. 
Duas contas em restaurantes: uma de R$ 260 (Carne de Sol) e outra de R$ 254 (Bonsai).




Lucas Calil
Lucas Calil
em fevereiro, teve
 duas notas altas no 
Restaurante Buritis: uma de 
R$ 369,00 e outra de R$ 215. 
Sem falar dos R$180 do Quiosque 
e outros R$ 158 no Empório. 
Não alugou carro, mas “queimou” 
R$5.628 em “petróleo”.  
Lucas registra, em março, 
despesa do dia 13 de abril (NF 613), 
quando gastou R$ 1.553 no Restaurante Buritis. Neste mês também não alugou veículo, mas gastou R$ 5.081 em combustível.



Manoel de Oliveira
O deputado 
Manoel de Oliveira gastou, 
em fevereiro, R$ 8 mil com aluguel de carro 
e consumiu R$ 7.688 no abastecimento do dito cujo. 
Deste total, R$ 1.955 são de março (dia 10). 
Aliás, o aluguel do carro foi pago à Max Tur 
no dia 9 de março. Mané também lança em 
fevereiro os R$ 5 mil de consultoria pagos em 09/03. 
Nesse ritmo, os R$ 8 mil do aluguel do carro pagos em 6 de abril, foram contabilizados em março. Idem os R$ 2.425 pagos ao Auto Posto Dona Santa, em 9 de abril, que, somados aos R$ 2.900. do Posto Gaivota (03/03) e aos R$ 2.874, do Posto Jardim Botânico, resultam em R$ 8.199 gastos com gasolina.



Marquinhos do Privê
Com o deputado 
Marquinhos Palmerston (Marquinhos do Privê), 
no quesito “encher a pança”, não tem miséria. 
Em 18 de fevereiro, gastou R$ 480 no 
Restaurante dos Amigos, mais R$ 570 no 
Restaurante Buritis (dia 27) e fechou o mês no 
Varandas com mais R$ 590 (dia 28). Alugou dois 
carros por R$ 5.800 e, para abastecê-los, “queimou” R$ 4.850. 
Em março, gastou R$ 200 no Kampai, outros R$ 191 no Restaurante Buritis, onde gastou mais R$ 456 (dia 17) e outros R$ 459 (dia 31). Antes (dia 27), pagou R$ 366 ao Restaurante Atacam. Manteve os dois carros alugados por R$ 5.800 e pagou R$ 4.662 em combustível.


Renato de Castro
Renato de Castro vai na mesma valsa. 
Em fevereiro gastou R$ 2.977 em restaurantes. 
Foram R$ 436 na Gramado, mais R$ 207 no Imperial Point, 
outros R$ 400 no D`Casa e uma despesas de 02 de março lançada no mês 02: R$ 1.750 pagos a Antônio Emílio. Não pagou aluguel de carro e gastou R$ 1.947 em combustível. 
Renato gosta de um bom restaurante. 
Em março, foram gastos R$ 494 no Piquiras, R$ 313 no ImperiaL Point e R$ 1.149 no Buritis. 
Não alugou carro, mas o consumo de combustível triplicou: R$ 7.166. 



Santana Gomes

Santana Gomes 
debutou na Casa pagando, 
em fevereiro, aluguel de carro (R$8.200) 
e combustível (R$6.600). 
Repetiu o aluguel do carro 
em março e a gasolina somou 
R$ 7.388. 
Nada de restaurante 
com o “baixinho”. 





Alguém vai dizer que R$ 200 é ninharia. É 1/3 do salário mínimo. Adoram restaurantes. Eles sabem que nós, os bestas, pagamos a conta. 


Detalhe: o nome de Gustavo Sebba, do PSDB, não aparece na relação da verba indenizatória.