19 de abr de 2015

O bloco das cabeças ocas


Ver e ouvir moçoilas e frangotes falando em volta da ditadura é olhar para todos os que presidiram este país, após a quartelada, e lembra-los de que nada fizeram em prol da democracia. Cuidaram tão somente de suas ambições.

Esperar de Sarney algo como abrir os porões da ditadura era impensável. O sacripanta, ao tempo em que sepultava a Assembleia Nacional Constituinte, passou quatro anos de mandato para conseguir o quinto.

Collor, o sucessor, teve tantos crimes elencados por Aristides Junqueira, que acabou destituído, execrado pela mídia e pela sociedade e, ao final, restou inocentado pelo Supremo Tribunal Federal, pois nada se provou contra ele.

Itamar, fechando o mandato, como todo bom mineiro, também fez questão de deixar de lado quartéis e generais. Magalhães Pinto, que o diabo o tenha, foi um dos artífices do golpe.

Fernando Henrique, o próximo. Ditadura? Conta que os militares disseram a ele que não há mais nenhum papel. E, ao ensejo, FHC alegou ter assinado por engano o decreto que prolongou por 50 anos o sigilo sobre os arquivos.

Veio Lula e as coisas ficaram nas veias do Tortura Nunca Mais, até que se instalou a Comissão da Verdade, que tudo tem a dever às similares da Argentina e Chile, que enquadraram generais criminosos. Vez de Dilma, guerrilheira, presa e torturada, um passado que os da direita comparam a banditismo, mas que se recusam a aceitar quando são chamados de torturadores, violentadores de mulheres e de violadores de direitos humanos.

Filhote da Ditadura, Romeu Tuma Júnior escreve um livro onde relata conversas com o pai, que, morto, não pode dizer o que é verdade ou mentira. Tuminha teve a audácia de dizer ser Lula um “informante” da ditadura.  Tal asno diz isso e há pessoas que aceitam, pois os encarregados de zelar pela democracia, irresponsavelmente,  não cuidaram de manter acesas as chamas da história.

O país vive hoje uma crise moral. Os políticos, crise de imagem, que é a pior possível  e não fictícia. Cleptocratas, salvam-se poucos neste contexto.  Vemos aí sujos falando de mal-lavados. O PSDB do F (de Furnas) nada pode falar do PT do M (Mensalão), cabendo lembrar que ambos são sócios no butim do “Petrolão”, juntamente com o PMDB, o PP e o PTB.

Razão têm os insatisfeitos com a economia, com o custo de vida, com a volta da inflação, coma falta de segurança, com o transporte ruim. Eles vieram às ruas para dizer isso. Não vi neles temor ao que seja bolivariano ou ao tal Fórum de São Paulo, mais um daqueles encontros para lucubrações da esquerda escocesa, sempre regadas por um bom scotch.

Tão jurássicas, direita e esquerda hoje lembram mais os sinais de seta, quase sempre nunca dados pelos nossos motoristas, em sua eterna navalhice.



A fuzarca dos cornalhas


Não só lá. Por aqui também existem tais cornalhas. Que tal o Ministério Público pegá-los? 

Friboi/Palocci: se fuçar, pega Marconi


O ex-ministro é investigado pela Justiça Federal do Paraná por suspeita de repasse de dinheiro do esquema da Petrobras para a campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2010. A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) deve requerer os documentos para anexar ao inquérito da Operação Lava Jato.

Pelo que conta a reportagem da revista, o ex-ministro recebeu R$ 5,5 milhões em 11 parcelas do escritório do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, morto no ano passado.

A origem do dinheiro, segundo a reportagem, é o Grupo Pão de Açúcar, que negociava fusão com as Casas Bahia. Não foi identificado nenhum comprovante da prestação dos serviços da Projeto, consultoria de Palocci. Os repasses, segundo a revista, foram feitos entre dezembro de 2009 e dezembro de 2010. A suspeita do MPF se deve ao fato de, além de não haver contrato por escrito, o Pão de Açúcar dizer que não houve nenhuma reunião com o ex-ministro da Casa Civil. Ele deixou o cargo depois de não conseguir explicar como multiplicou seu patrimônio por 20 em quatro anos.

A reportagem da revista revela que há uma investigação sigilosa do Ministério Público em torno de 30 EMPRESAS que pagaram a Palocci. O período em que coordenou a campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010, teria sido o que mais prosperou financeiramente.

Na lista dos pagamentos suspeitos estão os valores repassados pela JBS, que buscava um sócio no mercado de frango nos Estados Unidos. Logo após a "consultoria", a JBS recebeu financiamento do BNDES. A JBS doou à campanha de Dilma R$ 13 milhões em 2010 e R$ 70 milhões em 2014. Segundo documentos obtidos pela revista, Palocci recebeu da JBS R$ 2 milhões entre 2009 e 2010. De acordo com a Procuradoria, Palocci diz ter ajudado a JBS na busca pelo sócio norte-americano. A empresa, no entanto, diz que não o contratou.

Já a concessionária Caoa procurava um parceiro no MERCADO chinês e logo após os "serviços" de Palocci, o Congresso teria aprovado um benefício fiscal que ajudou a empresa. O petista também não conseguiu comprovar os serviços prestados a essa empresa. De acordo com a revista, Palocci recebeu R$ 4,5 milhões da empresa entre julho e dezembro de 2010. A Caoa também negou a consultoria.

Goiás

Mexer em doações do JBS Friboi vai acabar sobrando para o governador Marconi Perillo. Além de receber polpudas doações de campanha do conhecido grupo, Perillo teria muito que explicar sobre o perdão de R$ 1 bi de impostos sonegados pelo grupo. Foi um escândalo.

  1. www.blogantoniocarlos.com/2015/01/grupo-jbsfriboi-recebe...   Em cache
    dívida de aproximadamente R$ 1,3 ... aprovada e promulgada por Perillo no apagar das luzes do ano de 2014, ... Grupo JBS/Friboi, recebe perdão de 75% da dívida b...


Perillo é acusado de ter pedido propina de R$ 2 milhões a frigoríficos (ver Folha Transparência – Marconi Perillo). Desses 2 mi, 500 mil teriam sido pagos por Friboi. 

  1. transparencia.folha.com.br/a-engrenagem-da-impunidade/...   Em cache
    Marconi Perillo INQUÉRITO - STF Nº 2992 Número de documentos: 43 Número de páginas: 7.618 Estado do procedimento: Em andamento Requerente de absolvição ...
Quer ser presidente. 



18 de abr de 2015

Inércia do STF impede STJ de punir governadores

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A impunidade permanece e tem o aval do Poder Judiciário. A Corte Maior tem culpa grave, para não dizer toda a culpa. Por conta da sua inércia, governadores continuam fazendo das suas sem que possam ser processados pelo Superior Tribunal de Justiça.

E por que não podem? Porque há Estados – e Goiás é um deles - que fizeram introduzir, em suas Constituições, dispositivos condicionando o pedido de denúncia contra governadores e vice à autorização legislativa para tal.

Há três anos que o Conselho Federal da OAB tem protocolizado Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao Supremo Tribunal Federal, o STF, mas esse está a cozinhar o galo. Quando a moral está em crise, quando há o abandidamento da política e isso já está atingindo os poderes da República, urge a palavra final da Corte Maior, cassando tal excrescência e permitindo que a Justiça coloque os que forem culpados na cadeia.

Que os ministros e ministras da Suprema Corte façam tour de force, pois são oito ou nove ADIs (a de Goiás é de nº 4773). Que, de uma penada só, tragam o acórdão acabando com esse manto protetor de bandidos. 

Alguém precisa cobrar isso deles. Ficar em cima, incomodá-los. A mídia não pergunta e a oposição está mais para situação. Agora, absurdo é ter que chamar a atenção de ministros do Colegiado Maior para que cumpram com as suas obrigações. 

16 de abr de 2015

O jornalismo e a Lei de Lynch

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O linchamento moral pela mídia prepondera. É crime grave,

Due process of law. Fora daí, não contem comigo.  Infelizmente, o jornalismo brasileiro se dá a seguir orientação do Manual das Inquisição, de Nicholas Emerich,  e do Malleus Maleficarum,  de Heinrich Kramer e James Sprenger, acusando, julgando e condenando, em processo sumaríssimo, a todos os que tenham cometido pecado contra  a honra, a moral e os bons costumes.

Quero que Vaccari, do PT, e todos os demais dos partidos, também implicados, se “phodam” (com ph, como dizia a madre superiora. O que está em movimento na grande mídia, hoje, é linchamento moral de pessoas que ainda estão sendo investigadas, sobre as quais ainda não há culpa formada, contra quem sequer há denúncia oferecida. O doleiro Youssef e os dirigentes da Petrobras, que negociaram os seus futuros na Justiça narraram fatos a serem ainda comprovados. Nulla poena sine crimen – não há pena sem crime.

– Ah, mas os caras contaram em detalhes. Está na cara que são culpados ! – esbravejam os carrascos de plantão, que contra mim já se insurgiram porque defendo o devido processo legal, o direito ao contraditório. Como não escrevo para agradar a quem quer que seja, mas para pessoas inteligentes que sabem discernir as coisas, sigo em frente

Não basta achar que sejam culpados, é preciso provar que o são.  Para provar, é preciso investigar. A imprensa, que poderia fazer a sua parte, já foi investigativa, não mais o é. Rádios e tevês são mais do que o jornalismo impresso. Custa caro investigar, pois demanda tempo, viagens, pesquisas. demanda dinheiro e tempo.

Deixando de investigar, vive do que vaza de investigações policiais, fazendo surgir daí um novo perfil profissional: o jornalista porta de cadeia. Os textos dos coleguinhas são de fazer corar a mais depravada das prostitutas.

 Fulano é acusado disso, acusado daquilo, quando ainda não foi judicialmente  acusado de nada. Suspeita-se do delito, cabendo ao Ministério Público, com base em provas, acusá-lo de tais e tais crimes.

Um dos colegas por quem sempre tive respeito e tenho a sua página no meu blog – lamento, mas terei de suprimi-la – “pulou o corguinho” , como se diz em Goiás. Jornalista de O Globo, professor de jornalismo na UNIP Brasília, Jorge Bastos Moreno, num de seus tuites, viajou na infelicidade: prendeu, julgou e condenou, em rito sumário, o tal Vaccari, tesoureiro petista. 
Diz o tuite:

 “Quem, no PT, defender o agora réu e presidiário Vaccari merece o desrespeito, a indignação e a infâmia de toda a sociedade!”

No momento, amigo Moreno, quem está a merecer o desrespeito e a indignação é você. Você mentiu para o seu público. Um cidadão só é réu quando denunciado à Justiça em processo onde há o direito ao contraditório. Até agora, Vaccari tem sido ouvido, mas não denunciado. Na denúncia formal com especificações da tipologia de delitos, é que ele passará a ser réu. 

E ele (ainda) não é presidiário, caro Moreno, pois não há sentença condenatória transitada em julgado. Presidiário é o CONDENADO  que cumpre pena em presídio. O suspeito sequer foi denunciado, quanto mais julgado. O juiz Moro decretou a prisão preventiva do gajo.

O fez por teimosia do PT em manter Vaccari na tesouraria. Com a Petrobras ele não faz mais “negócios”, mas e com os demais órgãos e demais estatais?
Que o tesoureiro  tenha do partido assistência jurídica e demais apoiamentos que o grêmio achar necessários, mas permitir que continue no exercício da função é provocação.
Ao homem público não basta ser honesto, também precisa parecer sê-lo. Não estou aqui em defesa de ninguém – quem pariu Mateus que o embale –, mas, sim, do devido processo legal, assegurados todos os direitos a quem acusa e quem é acusado.

14 de abr de 2015

Só o pacto federativo pode salvar as cidades

Enquanto não for celebrado um novo pacto federativo, as coisas estarão de mal a pior. Detalhe: ele só não existe porque não interessa à Presidente (e aos que a antecederam, também) e aos governadores.

É que eles não deterão mais s chave do cofre principal. Não vão mais poder exigir que prefeitos venham agachados, de pires na mão, esmolando recursos.

Senhoras e Senhores, União e Estados não têm que ficar com a fatia maior do bolo tributário, da arrecadação. O Município, sim, tem que ficar com a dinheirama. Sabem por quê? Porque o nosso Brasil, o nosso País, o nosso Estado, é a cidade onde moramos, o bairro em que vivemos, a rua onde fica a nossa casa. Esse é o nosso Brasil.

Os paspalhos do Congresso municipalizam a Saúde, o ensino fundamental, fixam piso nacional para que as prefeituras paguem os mestres, mas não lhes assegura a fonte de recursos para custear tudo isso.

O Governo de Goiás, por exemplo, deve mais de 100 milhões às prefeituras por conta de obrigações suas que são cumpridas pelos prefeitos (um deles é o transporte de estudantes da zona rural que frequentam o ensino médio nas cidades). Cem milhões que deveriam ter sido pagos até março, segundo anúncio da secretária de Fazenda. 


Isso é café pequeno ante o que deve a União às prefeituras: 35 bi. Deve e não paga. E nem sinaliza.  Por isso os prefeitos já organizam, para o final de maio, a XVIII Marcha  Brasília. Agora, pelo pacto federativo. Vão tentar conseguir o apoio do Congresso par tal. De repente, o milagre das grandes virtudes talvez aconteça naquelas Casas. Nesse dia, o capeta terá se suicidado.

13 de abr de 2015

Vem aí o BRT - Bom, Rápido, Tranquilo!

Serão 28 ônibus articulados apoiados por amis três terminais
e 39 plataformas de embarque e desembasrque
Ladies and gentlemen,  Bus Rapid Transit for you. Forget the car and  follow me: take a bus.

Não haverá saídas imediatas paras o problemas do trânsito em Goiânia. Assim, só com transporte de massa é que poderemos escapar da loucura que virou esta cidade. Com 1.139.775 veículos rodando, o ritmo ”stop and go” é um convite a encarnara personagem de Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”. Repito: loucura.

Daí que saúdo o anúncio do BRT, o Bus Rapid Transit, sistema adotado p0or 170 das maiores cidades do mundo – muitas delas verdadeiras megalópoles que não mais comportam os carros que as poluem. O BRT não é novidade para mim. Já zanzei mundo afora e de tudo um pouco conheci. Pelo que li, o de Goiânia vai custar 10 vezes menos do que um subway e o quilômetro construído é seis vezes mais barato do que o do VLT.

O corredor é a “arma”

Seja em Xangai, Los Angeles, Amsterdã, Caracas, Genebra, Tóquio, Seul, a preocupação e medida primeira é assegurar os corredores, as faixas especiais para ônibus. No início, eram apenas 55 cidades a estabelecer os corredores livres. Hoje já são 167, incluída aí Goiânia, a mais recente a adotar o sistema.

Uma das minhas leitoras disse que adotar o BRT é chover no molhado, pois “ele não  passa de cópia do Eixo Anhanguera”.
Ela quase tem razão. O BRT não é copia, ele é a evolução do sistema implantado aqui, em meados da década de 70, e depois aprimorado pelo urbanista Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba.

No sistema BRT, os ônibus são maiores, mais confortáveis. As estações completam o diferencial, mas são os corredores exclusivos que asseguram a mobilidade com maior rapidez. O de Goiânia de3verá custar uns R$ 340 milhões e vai aumentar em 120 mil o número de usuários  da rede.

Traçado e obras

Pelo traçado, o sistema vai operar a partir do terminal Cruzeiro, no Sul, em Aparecida, até o terminal Recanto do Bosque, na região Norte. Serão utilizados 28 ônibus articulados e 65 convencionais, todos com ar condicionado.
Maquete mostra  passagem por baixo: serão três as trincheir

O sistema de integração será reforçado com a construção de mais três terminais – Vila Brasília (Correios), Centro (Rodoviária) e Avenida Perimetral – e de 39 plataformas de embarque e desembarque. Também serão construídas trincheiras (1) na Avenida Rio Verde com a Tapajós, no Parque Amazônia, (2) na confluência da Rua 90 com a 136, Setor Sul, e (3) na junção das avenidas Goiás e Perimetral Norte, no Setor Urias Magalhães.