27 de mar de 2015

Aos meus amigos


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que 
permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que 
tivessem morrido todos os meus amores,
mas 
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ... 
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. 
Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso 
lhes dizer o quanto gosto deles. 

Eles não iriam acreditar.
 
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. 

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
 

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não 
tem noção de como me são necessários,
de como são 
indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles 
fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.


Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, 
sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar. 

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda 
furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo 
comigo, todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só 
desconfiam - ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinicius de Moraes   

A ópera dos malandros

Valim não se candidatou a nada. Só espera
 Helder Valim logo será recompensado pelo governador Marconi Perillo – provavelmente, com o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, mamata vitalícia destinada a premiar, geralmente, políticos em fim de carreira ou prepostos que assegurem o “nihil obstat” quanto às contas do nomeador.

Helder Valim, com a cumplicidade da mídia e com a incompetências em último grau das oposições, fez aprovar na Assembleia Legislativa a Emenda 46, de setembro de 2010, que nada mais é que um novo texto dado à Constituição do Estado de Goiás.

Os nossos “invejáveis” parlamentares fizeram inserir no art. 11 o inciso XXIX, que dita, mandamental, ser da competência da Assembleia Legislativa de Goiás “autorizar, por voto de dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o governador, o vice-governador e Secretários de Estado”.

Tal conteúdo não existia no texto original. Malandramente, foi colocado em votação justamente no período da campanha eleitoral de 2010, com aprovação a toque de caixa. Como o então senador detinha a maioria na Casa – todos atrapalhando o governo de Alcides Rodrigues –, o golpe passou.

Seguindo o roteiro da ópera do tartufo, Helder Valim só em dezembro remeteu o texto promulgado pela Assembleia para publicação no Diário Oficial (saiu na edição do D.O. de 07/12/2010).

O detalhe é que tal inciso é inconstitucional (bem como o art. 30, que cuida da mesma coisa) . Se uma quadrilha se instalar no poder, tenha ela a maioria no Parlamento e nada lhe acontecerá. Nem com o ladrão e nem com os assessores do ladrão.  Ou seja, proteção de amplo espectro.

Por ser inconstitucional, basta qualquer partido de oposição com representação no Congresso Nacional propor uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao Supremo.  Mas onde está a oposição?  Existe isso em Goiás? 

STF detona tropa paramilitar de Perillo

Plam-plam. Plam-rataplam. Zéfini. Acabou a farrinha do Major Maçaneta e os seus soldadinhos de chumbo. Nada contra os tais cidadãos, mas policiamento repressivo não é folguedo para reservistas das foras Armadas. Nestas quinta, o STF decidiu ser inconstitucional o uso dos “maçanetildos” como complemento do contingente insuficiente da Polícia Militar.

Para o governador Marconi a coisa estava no jeito. Paga mil e pouquinho para os faz de conta, quando ao PM de verdade deveria remunerar com até três vezes mais.  Com a decisão tomada, que tome o governo providências de reforçar o policiamento, pois, como disse a ministra Carmem Lúcia, do STF, em Goiás, a violência impera.

O governador quer que sejam tomadas medidas  legislativas no Congresso para que os seus badamecos (ou bate-paus) sejam contratados. Ao invés de tratar a segurança pública com desdém, deveria, sim, investir, reforçar, assegurando paz e vida aos cidadãos. Prefere prevaricar.

PRAZO

Depois que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entenderam que a lei que criou o Simve é inconstitucional, o ministro relator Luiz Fux propôs que haja modulação da decisão até novembro de 2015, quando expira o prazo para contratação dos aprovados no concurso da PM. Até essa data, o governo do estado deveria chamar os aprovados que seguem em cadastro de reserva e dispensar temporários.
Os ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello concordaram com o prazo. Mas os ministros Marco Aurélio e Cármen Lúcia votaram contra. Para eles, era necessário que a inconstitucionalidade fosse imediata. Marco Aurélio sugeriu que, caso necessário, a Força Nacional fosse disponibilizada para atender à demanda no estado de Goiás. Como não foi definido com número necessário de votos para que a modulação fosse acatada, o julgamento foi suspenso até que o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski retorne de viagem.

Discordo do prazo. O que atenta contra ocláusulas pétreas do nosso ordenamento jurídico não pode merecer o benefício de tolerância temporária..
  
A propósito dos chamados “Soldadinhos do Coninho”, os revólveres 38 que usam eram da PM de Brasília, Com novos armamentos, os 38 seriam destruídos. Marconi ficou sabendo e os pediu ao governador de lá. Agnelo os doou. Você sabia?

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26 de mar de 2015

Nihil obstat: Jacques Silva é ficha limpa no IGEPREV

As alegações de que o ex-senador goiano Jacques Silva (PMDB), atual presidente do IGEPREV, no Tocantins, responderia a ações em juízo penal não são procedentes. Falando a este blog, Silva inormou que os documentos a mim endereçados dizem respeito a caso que o próprio Ministério Público solicitou o arquivamento por improcedência. 

Conheço Jacques Silva desde a sua luta, ao lado de outros companheiros, pela consolidação do MDB e,posteriormente, do PMDB em Goiás.  Nunca soube de nada que o desabonasse. As ações, se arquivadas por improcedência, não podem servir de parâmetro para a avaliação de sua ficha politica, inexistindo, pois, qualquer óbice moral à sua indicação para quaisquer cargos na vida pública.

Fica o registro em  reparação que se faz necessária, bem como assegurado a ele o espaço para que aduza maiores esclarecimentos, se assim o entender.

24 de mar de 2015

Farra de aditivos pode complicar governo

Não são poucos os desvãos legais detectados na atual administração perilampa. O caso dos aditivos é escabroso. Veja outras obras sob suspeita de favorecimentos e outros delitos afins:
 
Pelo preço, "rouborto" de cargas de Anápolis
Aeroporto de Cargas de Anápolis. A obra foi contratada pela LOCTEC  Engenharia ao preço de R$ 94 milhões. Deveria ter sido entregue em dezembro passado. Adiaram para junho deste ano. Detalhe: o curto atual é de R$ 230 milhões.

Jayme Rincón, da AGETOP, culpa os atrasos pela falta de dinheiro decorrente da crise nacional. Ora, se não há dinheiro, onde estão os R$ 6 bilhões que a “parceira” Dilma emprestou ao Perilampo?

Aeroporto de cargas de Anápolis, de R$ 94 mi passou para R$ 230 bi. Três vezes mais. Está mais aditivada do que gasolina da Petrobrás.

Centro de Convenções: obra paralisada
                                                                                                                                           O Centro de Convenções de Anápolis é outro “imbróglio”. Aditivo aumenta valor da obra de R$117  para R$ 123 milhões. A Procuradoria de Contas do TCE está no encalço de todos os passos e já identificou horrores cometidos pelos que gostam de confundir o público com o privado.

Voltarei brevemente com novidades a respeito. Asta la vista, baby 

Eis mais duas obras onde o nosso dinheiro é capim


HUGO 2: lisura na UTI

Promessa de campanha, o Hospital de Urgências da Região Noroeste de Goiânia, o HUGO 2, foi iniciado em maio de 2013 e, ano passado, teve a sua conclusão adiada por três vezes. Seria em junho, ficou para o aniversário de Goiânia, em outubro; depois, ficou para dezembro. Estamos em março de 2015. Nada.

Nada para o povo, mas tudo para a empreiteira, a Porto Belo. Um aditivo de janeiro deste ano dilatou o prazo para a entrega em mais cinco meses (junho), mas também foram editados aditivos que aumentaram o valor da obra de R$57,3 milhões para R$ 163 milhões.

Sei que já foram identificadas irregularidades graves em  relação ao contrato – licitação irregular, formação de cartel, aditivos com jogo de planilhas.

Centro de Excelência em aditivos

Além do Hugo, a Porto Belo, empreiteira felizarda também se dá bem com as obras do Centro de Excelência do Esporte. Orçado, inicialmente, em R$39 milhões, segundo Jayme Rincón, da AGETOP e também conhecido como o “Rei dos Aditivos , o projeto teve que ser adaptado e melhorado. Melhoraram e adaptaram tanto que o custo da obra, hoje, teve um acréscimo de 170% no preço, ou seja: de 37 mi, com overdose de aditivos, já custa R$ 105 milhões. De 37 para 105. Absurdo. E tem mais e de que falarei aqui.

Sei que irregularidades diversas foram e estão sendo constatadas, o que exigirá explicações de quem governa. Que se preparem os aditivadores. Vem chumbo grosso por aí.

Volto já já com mais notícias do festival de aditivos.



Obras perilampas tem mais aditivos que a Bardhal!

De 100 para 300 milhões: estação de grana tratada?
Ladies & gentlemen, no governo goiano todos podem ser honestos, mas o meu capote sumiu. Licitações  de obras, feitas ano passado, em menos de um ano, dobraram, triplicaram ou triplicaram de valor. A maioria na área da AGETOP, campeã imbatível na edição de aditivos, um instrumento perigosíssimo, pois é com eles que as empreiteiras pintam  e bordam, contando, é claro, com a cumplicidade de agentes públicos, of course. Não estou dizendo que é o caso, mas o meu capote sumiu.

O alarme dispara e com  razão. Há uma dezena de grandes obras cujos valores estão corrigidos por rosários de aditivos, cujas justificativas podem convencer a bebês de três anos de idade. Sur moi, jamais.

Os argumentos usados pela AGETOP e pela Saneago para justificar tais disparates são risíveis. Me engana, que eu gosto. O meu nome é otário.

Em campanha publicitária na TV, com o slogan “Já é de Goiás”, anunciou-se o Sistema Produtor Mauro Borges, criado para abastecer Goiânia e vizinhança com água tratada até 2045.  Orçada em R$ 183,6 milhões, a obra já custa R$ 331 milhões. O contrato teve 26 aditivos, 18 deles para aumento de preço. Atribui-se o novo custo às diferenças do projeto original. Houve mudanças, com modernização e ampliação e a previsão de construção de nova estação de tratamento. 

Que droga de projeto inicial era este, que nada tinha de moderno e nem maior capacidade de vazão? E desde quando se embute em contrato velho outra obra (nova estação de tratamento de água) sem o uso de licitação?

Aí tem.

E tem mais. Já já: obras do HUGO 2 tem mais aditivos que gasolina da Petrobras.

22 de mar de 2015

Os deuses que a mídia fabrica

VEJA, na esteira de Aécio Neves, retoma o cinzel e volta a esculpir deuses de pés de barro. A “deidade” da vez é Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, guindado pela revista ao posto de “homem mais forte do país”.
Cunha, na verdade, tem a força de Jeca Tatu com esquistossomose. Os recentes arroubos no comando da Câmara não são produto de valentias, mas de lesão ao Regimento da Casa. O seu passado assemelha-se a pau de galinheiro. Como se não bastasse termos um corrupto no comando da Câmara Alta (Senado), eis que há símile na Baixa.

Folha corrida

   
a) Governo Collor. Cunha presidia s TELERJ (Telefônica do Rio). Foi acusado de participar dos esquemas de corrupção de PC Farias.

b) 1989. Cunha se  envolve em outro escândalo: assinou aditivo de US$ 92 milhões a um contrato da Telerj com a NEC, fornecedora de equipamentos telefônicos.

c) Governo de Anthony Garotinho. Cunha foi convidado pelo governador a assumir a presidência da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), que controlava os fundos destinados a construção de casas populares. Acusado de desviar verbas da Companhia, Cunha justificou seus gastos, incompatíveis com a renda declarada, com base em um suposto empréstimo do Banco Boreal, do mesmo grupo que controla a Libra – operadora portuária acusada de bancar o lobby de Cunha, atualmente.

d) Em 2011, Cunha foi acusado pela mídia de ter relações próximas ao grupo Gallway, que seria originário do paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Em 2007, a estatal Furnas teria superfaturado a compra de lotes de ação em negociação feita junto ao Gallway.

e) Semana passada, Cunha foi acusado pelo deputado Anthony Garotinho de dificultar a votação da MP dos Portos, numa tentativa de favorecer sócios de terminais portuários, em especial Daniel Dantas, único nominalmente citado. Sócio do terminal Santos Brasil, Dantas é dono do Banco Opportunity e também tem sua carreira recheada de acusações e polêmicas.


Segundo Garotinho, Cunha estaria tentando desfigurar o projeto original a fim de atender interesses de certos grupos, como a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec). Entre os sócios da associação estão os terminais Santos Brasil, de Dantas e a operadora Libra, que também possui relações com Cunha. As empresas, claro, negam o lobby. Cunha diz que a corrupção está no Executivo, não no Legislativo, como se deputados corrompidos não fossem tão bandidos quanto os que os corrompem.
Este é o homem mais poderoso do Brasil. Diz VEJA que é. É?

Trombadas, trombadinhas et alii


Infeliz postura do senador Ronaldo Caiado, ao vestir a camiseta com a mão de quatro dedos. Quem desponta como voz da oposição no Senado não pode se prestar a “pivetagens” políticas. Comum seria a peralvilhos, mas nunca a ele. Perdeu pontos.

Verdade

ÉPOCA  retrata na sua edição desta semana a miopia petista: o partido, por conta do “Mensalão” e do “Petrolão”, está em baixa no conceito popular: de quadrilha, chamam-no. E por culpa própria, ao manter Vaccari, o PT se avacalha.

Mentira

VEJA desvaria. “Vende” a ideia lucubrada pelos tucanos, de que Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, é o político mais poderoso do país. Ele pode o que lhe permite a Constituição. Querer fazer dele um Ulysses já é banditismo midiático. Cunha não é boa bisca. Renan, idem. Envergonha o país ter dois afamados como corruptos presidindo o Legislativo nacional.

Pó pará

Por falar em ambos, ISTO É  entrevista Aécio, que acusa: “A presidente ainda não sabe, mas quem governa o Brasil hoje é Renan e Cunha”.

Na verdade, pelo português correto, usa-se “quem governa o Brasil, hoje, são Renan e Cunha”.

Caro Aécio, pó pará. Cunha e Renan não governam, apenas atrapalham o governo, como o fazem os maus políticos, que cultuam o estádio do quanto pior, melhor – que é o seu caso.

“Dupra” goiana

Além de Bruno & Marrone, também temos Bruno & Marconi. Trata-se (1) de Bruno Peixoto (que articula nos bastidores a guindada de seu nome a candidato a prefeito pelo PMDB, tudo feito nas costas de Íris) e de (2) Marconi Perillo (vai trocar o PSDB pelo PSD. Quer ser candidato a presidente da República).